sábado, 26 de abril de 2008

Vida Noturna

Talvez eu já não tenha mais o pique adolescente para ser empurrada, pisoteada e ter o cabelo destruído por fumaça de cigarros legalmente vendidos e afins. Ou então, eu seja anormal e não viva eternamente feliz, em clima de festa fashion. Não acho que eu tenha que ir a um show para encher minha cara e dizer que foi demais. Pelo contrário, vou quando gosto, quero assistir, olhar os detalhes. Enfim, ser feliz ao meu modo, sem desrespeitar as pessoas.
Acho realmente que sou diferente, tenho cólicas em dias de festa e fico extremamente irritada com mulheres em cima dos ombros de namorados, ficantes ou amantes. Pode ser o que for, mas não empate minha visão e nem passe seus cabelos nojentos no meu rosto, na tentativa de me tirar do lugar. Ah que vontade de bater!
Porra, não adianta gritar o nome do Zeca daqui, ele não vai ouvir e eu também não vou ouvir nada que ele tá cantando. Só tua voz esganiçada, desafinando e errando a letra ao meu ouvido.
Ele canta " Versos Perdidos". Eu adoro, mas enquanto curto o pedaço " Meu grande amor, de versos perdidos...." O grito continua ao meu ouvido. Não sabe a letra que tal ouvir?
Enfim, estou ficando velha!

quinta-feira, 10 de abril de 2008

SENSORIAL ( Adélia Prado)

Obturação, é da amarela que eu ponho.
Pimenta e cravo,mastigo à boca nua e me regalo.
Amor, tem que falar meu bem,
me dar caixa de música de presente,
conhecer vários tons pra uma palavra só.
Espírito, se for de Deus, eu adoro,
se for de homem, eu testo com meus seis instrumentos.
Fico gostando ou perdôo.
Procuro sol, porque sou bicho de corpo.
Sombra terei depois, a mais fria.

sábado, 5 de abril de 2008

A benzedura e o padre

Fui batizada bem tarde, acho que aos seis anos. Isso talvez nao significasse muito para mim na época, ao menos escolhi os meus padrinhos e também pude acompanhar boas histórias da cerimônia. Não sei dizer ao certo o motivo do Padre que realizou a cerimônia ter se afeiçoado tanto a nossa família, mas no início isso era visto como uma grande vantagem pela minha mãe, católica fervorosa. Ele se ofereceu para abençoar a casa e, ela, lógicamente e aceitavelmente envaidecida, tratou de contar a boa novidade para as amigas da escola que ela trabalhava.
Desde que resolveu contar...se estabeleceu o drama em minha casa. Alguém disse a ela que o padre, toda vez que benzia uma casa, morria um membro da família. Mamãe, assustada, acreditou na versão e na relação do padre com as mortes. Vários personagens e situações foram ditas a ela e isso mudou o rumo dos fatos.
Toda vez que o telefone tocava, o medo se instalava na minha mãe e em mim...uma criança assustada e com medo da morte. Podia não ser o padre, mas o susto que o tilintar do telefone fazia, causava um nervoso imenso. E ele ligava também e muito: "Oh senhora, quando marco minha visita a sua casa", perguntava ele, para o desespero da minha mãe que rezava todos os dias para o sacerdote esquecer o telefone lá de casa. As preces foram atendidas. Pouco tempo depois, ficamos sabendo que ele voltou a morar na Itália, mamãe finge que esqueceu a história e eu continuei a fantasiar sobre morte e religião.
Depois do Padre, alguém me disse que os grandes matadores eram os membros da marçonaria, eles faziam um contrato com o homem da casa e davam dinheiro e tudo mais, depois cobravam uma prenda. A vida de quem abrisse a porta para o cara qquando ele fazia a visita no prazo determinado. Eu era criança e a morte era coisa muito simples e mística

terça-feira, 25 de março de 2008

Sim!
Não só tive uma noite de sono como poucas, como fui acordada ao som de Mart´Nalia


Você sabe de mim
Quando eu não tô afim
Quando eu só quero brincar
Não! Sim!
Mesmo que eu diga não
Você não me desdiz
Mas me chama atenção...

Vamos lavar
Toda a roupa suja
E mergulhar de cabeça
Nos armários da ilusão
Riscos vem à tona
E eu pareço um otário
Como você que é uma pedra
Em meu caminho...

Minha pedra preciosa
Minha preciosidade
Minha preciosa idade
Minha presa
Minha fé silenciosa
Meu atalho, meu destino
Minha pretinhosidade
Minha festa!...

segunda-feira, 24 de março de 2008

Noites insones

Ando com uma insônia terrivel que se reflete nas manchas escuras embaixo dos olhos e na minha cara amassada todas as manhãs. Penso em tudo, me irrito com os insetos noturnos que zunem nos meus ouvidos como serra elétrica. O calor é grande, não tem janela aberta que dê jeito. O pior de tudo que acordo com o nariz dando sinais de resfriado, talvez de ficar tanto tempo de frente para o ventilador
Vou a partir de hoje abandonar o café noturno e também pretendo diminuir minhas presenças na internet no período da noite. Quero só voltar a dormir, ter uma aparência mais saudável e deixar de me preocupar quando o relógio toca de manhã e eu só ter tirado um cochilo

sábado, 22 de março de 2008

Páscoa

Época para refletir sobre questões da religião, mas também a hora de deixar uma tal hipocrisia de lado e olhar para os lados com mais ternura. Respeitar os outros, se respeitar. Amar até perder o ar. Ter boa convivência.
Ah eu quero tanto abraçar o mundo, sem ter que pedir perdão. Sem provar quem eu sou pra ninguém e sem querer ou precisar que alguém cuide de mim. Ah seria tão bom que os abraços não viessem só em datas comemorativas, como natal, aniversário e o Feliz Páscoa tivesse um reconhecimento do que verdadeiramente aquela época representa. Isso é pra todo mundo.
Em todo caso. Feliz Páscoa para todo mundo!

domingo, 16 de março de 2008

Queridos...muito queridos!


Sempre achei as séries muito melhores que as novelas, mas quase nunca acompanho com grande intensidade. Acordo cedo, a exibição é tarde...mas não deixo de tentar. Várias boas produções estão na minha lista, para citar vamos de Anos Rebeldes, Hilda Furacão, Desejos...temos outras, mas minha memória fraqueja.

Pois bem, quando anunciou a nova série global Queridos Amigos, logo me chamou atenção a boa trilha sonora exibida nos comerciais. Aquelas pequenas entradas na programação, de certa forma, prendiam e despertavam curiosidade, principalmente, naqueles que gostam de música e tem uma pegada noveleira. Ok, eu admito!

Quando veio a estréia, nem pensei no bom elenco, minha justificativa estava mesmo na boa música e uma curiosidade grande sobre a década que eu nasci e ainda na meninice admirava ombreiras, brincos de acrílico e não entendia muito bem a tabela da Sunab, mas achava divertido a corrida por produtos nos supermercados, mas as canções era mesmo o que eu queria ouvir, lembrar e elas ainda mexem comigo, mas se tornaram pano de fundo para a minissérie. Logo no primeiro capítulo fui fisgada pela loucura do Léo ( Dan Sturbach) que está no fim e quer viver intensamente, em uma angústia de como se a vida estivesse escapando entre os dedos.

Denise Fraga nunca foi uma das minhas atrizes preferidas, mas está perfeita dando vida a torturada Bia. O tormento das lembranças da ditadura não deixam ninguém sair ileso em cada cena em que ela contracena com a mãe Iraci ( Fernanda Montenegro), mas o que dizer do Beni (Guilherme Weber), cínico e vadio, ele é ótimo. Não tem como não simpatizar.

Fora isso tem tantos outros bons atores que fica complicado citar um a um, mas posso dizer que estou entregue e não deixo de assistir por nada desse mundo. " Eu já estou com o pé nessa estrada, qualquer dia a gente se vê. Sei que nada será como antes..."