sábado, 5 de abril de 2008

A benzedura e o padre

Fui batizada bem tarde, acho que aos seis anos. Isso talvez nao significasse muito para mim na época, ao menos escolhi os meus padrinhos e também pude acompanhar boas histórias da cerimônia. Não sei dizer ao certo o motivo do Padre que realizou a cerimônia ter se afeiçoado tanto a nossa família, mas no início isso era visto como uma grande vantagem pela minha mãe, católica fervorosa. Ele se ofereceu para abençoar a casa e, ela, lógicamente e aceitavelmente envaidecida, tratou de contar a boa novidade para as amigas da escola que ela trabalhava.
Desde que resolveu contar...se estabeleceu o drama em minha casa. Alguém disse a ela que o padre, toda vez que benzia uma casa, morria um membro da família. Mamãe, assustada, acreditou na versão e na relação do padre com as mortes. Vários personagens e situações foram ditas a ela e isso mudou o rumo dos fatos.
Toda vez que o telefone tocava, o medo se instalava na minha mãe e em mim...uma criança assustada e com medo da morte. Podia não ser o padre, mas o susto que o tilintar do telefone fazia, causava um nervoso imenso. E ele ligava também e muito: "Oh senhora, quando marco minha visita a sua casa", perguntava ele, para o desespero da minha mãe que rezava todos os dias para o sacerdote esquecer o telefone lá de casa. As preces foram atendidas. Pouco tempo depois, ficamos sabendo que ele voltou a morar na Itália, mamãe finge que esqueceu a história e eu continuei a fantasiar sobre morte e religião.
Depois do Padre, alguém me disse que os grandes matadores eram os membros da marçonaria, eles faziam um contrato com o homem da casa e davam dinheiro e tudo mais, depois cobravam uma prenda. A vida de quem abrisse a porta para o cara qquando ele fazia a visita no prazo determinado. Eu era criança e a morte era coisa muito simples e mística

1 sobrou pra você!:

cazeck disse...

Os marçons eram padres carregadores da morte cujos capus revelevam apenas a escuridão, sem nenhum vestígio dos rostos...