sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Leôncio, aquele cachorro!

Hoje quando passava os olhos pelos sites de notícia vi que o ator Rubens de Falco tinha falecido. Embora, ele tenha feito milhares de novelas só consigo lembrar da primeira versão de Escrava Isaura.
A primeira vez que a trama do " Lerê, Lerê" passou, foi no final da década de 70 e eu nem existia, mas ainda bem pequena vi reprises, acho que umas duas vezes. O Rubens de Falco fazia o vilão que maltratava a doce Isaura, vivida pela "atriz" Lucélia Santos. Lógico que eu morria de raiva dele, não pelo sofrimento da mocinha, mas estava tomando partido da minha avó Braunizia que creio que assistiu todas as reprises da novela desejando todo o mal do mundo para " O cachorro do Leôncio que fica maltratando a pobrezinha".
Essas frases eram ditas com tanta emoção, misturando ódio e pesar que não tinha como não criar uma pontinha de raiva do maldito também. A novela acabou, o ator fez outros papéis, Lucélia Santos continuou atuando pessimamente ( acho que agora ela desistiu), mas o Leôncio ficou para minha avó. Toda vez que o ator aparecia na televisão ou algum outro com as mesmas características ela dizia: " O que esse cachorro faz aí?"
Com o tempo, ele foi atuando menos, minha vó passou a ver menos televisão, a vista cansada e a vontade de dormir mais cedo a afastou das novelas, mas posso dizer que até os meus 11 anos de idade, o tempo que ela permaneceu aqui, presente em matéria ( sei que espiritualmente, esses laços não se encerram), se fosse questionada sobre quem era malvado. Certamente, na lista ela iria lembrar de " Leôncio, aquele cachorro!"

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Cheiro de postar...

Quando eu era criança diziam que era para eu tomar suco de carambola para curar meu mal dos rins, depois descobri que a tal fruta não faz tão bem assim, pelo contrário...dizem que faz um mal danado. Fazendo bem ou mal, o fato é que enjoei o sabor da bendita fruta.
Aos sete anos tive uma infecção nos rins meio grave e tomava o suco todas as horas de minha vida. Não me fez mal só não sinto mais o cheiro da carambola na minha vida que eu lembro de injeções, febres....
Acho que os momentos da nossa vida têm um cheiro especial. Minha infância, além da carambola, tinha cheiro de terra molhada, de queda (todo mundo já sentiu isso), óleo Johnson ( eu passava nos cabelos...uma rídicula). A adolescência, cheiro de descobertas e shampoo da Natura Símbios, os cabelos ficavam uma merda, mas era Natura. Ah tinha também o perfume Essencial ( não ouso usar hoje em dia). Alguém lembra do Kriska??
Hoje, cheiro de corrida com prazos, cansaço, Crazy, Thaty, Carolina Herrera, produtos da Kerastase nos cabelos, cheiro dos mil e um produtos para a pele. Cheiro de ansiedade, móveis novos, mofo de papéis antigos, cheiro do ar condicionado sujo...Tantos cheiros com cada lembrança ali cravada na memória. Só espero ter memória seletiva e esquecer os cheiros ruins e não enjoar dos ainda agradáveis

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Bem...

Sempre gostei muito de observar as pessoas, principalmente, os argumentos utilizados para justificar algo que deu errado. É rotineiro culpar alguém, simular supostas armações, perseguições. Por exemplo, as coisas não deram errado por falha ou incompetência, foi fulano que te entregou e beltrano te passou a perna. Muito simples delegar funções de culpa.
Tem também os de pessoas protetoras, daquelas que acham que o vizinho, o amigo, o namorado, o cachorro, o papagaio são seres muito fragéis e que precisam de carinho, zelo e apoio emocional. A vida de fulana é uma merda porque ela não sabe ou não consegue se defender sozinha. Fala sério, ninguém precisa de um Super Homem para defender a humanidade.
Da mesma forma, a vida não é uma novela com super vilões daqueles que maltratam as mocinhas ou roubam todo o dinheiro delas que ficam na pior, mas conseguem se reerguer depois de vender muito sanduíche na praia. Não, as coisas não funcionam assim.
Fracassos e vitórias são reflexos das suas ações e ninguém é tão covarde que não consegue viver. Ninguém é bonzinho, ninguém é de todo ruim, tudo na vida tem interesse. Se eu gosto de alguém, vou ser legal com ele, mas se eu não gostar ou não conhecer direito meu comportamento será diferente. Assim a gente vai vivendo, cada qual no seu cada qual. Eu não tenho a culpa exclusiva dos seus problemas e muito menos os meus problemas são só da culpa alheia. É só isso...

Dom de iludir
(Caetano Veloso)
Não me venha falar na malícia de toda mulher
Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é
Não me olhe como se a polícia
Andasse atrás de mim
Cale a boca e não cale na boca
Notícia ruim
Você sabe explicar, você sabe entender
Tudo bem
Você está
Você é
Você faz
Você quer
Você tem
Você diz a verdade
A verdade é seu dom de iludir
Como pode querer que a mulher
Vá viver sem mentir

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Carnaval

Como meu hoje é ontem e meu amanhã é hoje ( quem trabalha em impresso, entende o que estou falando) meio que acelerei a semana e, praticamente, atropelei o carnaval. Aproveito os dias com filmes, livros e tá um frio tão bom que dá vontade de dormir.
Meio que perdi o pique de carnaval no circuito de rua, fiquei velha e maizena pouco me agrada...uso lentes de contato e só quem sabe como é doído aquilo nos olhos, entende o que estou falando. Fora isso, meu bem vai trabalhar e sem ele eu não vou sozinha. Não tem sentido, a aventura sozinha
Pelo fato de não curtir bebidas, fico apreensiva com multidões. Nunca se sabe qual é o momento que vou ter que correr e talvez eu ainda não tenha escolhido direito qual é a direção. Tenho medo da ( falta) de segurança e esse lance de carnaval da maranhensidade já encheu ( Pronto, falei!)
Para resolver o meu problema e acalentar meu descanso, resolvi locar uns filmes. Logo na entrada, um choque:
Cadê os filmes??
Justo a minha locadora da Cohab, filmes baratos e muita variedade resolveu se converter a indústria gospel??? Tenho nada contra a religião dos outros, mas ocupar mais da metade do acervo com Aline Barros e seus amigos é quase enlouquecedor.
Quem gostava de um terror bestinha à noite, pode desistir...Contra os príncipios da religião
Mesmo assim, loquei alguns
O Iluminado ( Tá bom, eu nunca tinha visto)
A Menina Santa ( religião e sexualidade, tenho certeza que enganou os donos da locadora com o nome angelical)
Toda Nudez Será Castigada ( adoro! Acredito que o nome também enrolou legal)
Machuca ( amizade no filme chileno-espanhol, Chile vive uma situação conturbada, em pleno governo de Salvador Alende)
Turistas( Ah, esse eu loquei por dois motivos. O primeiro porque é um suspense e nojentissimo e ainda estava lá nas prateleiras. Foi um protesto. Bem, o motivo dois era entender os motivos da polêmica do filme, rodado no Brasil e que tem trilha nacional, mas que nos trata como bandidos e nativos. Devo dizer que é uma merda...sem mais detalhes).
Entrego os filmes na quinta, vai dar pra trabalhar e ver nos outros dias de folga
abraços a todos e bom carnaval
Eu sei que é discurso bobo, mas vamos com calma. A violência atual exige cautela

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Grande Hotel (Wilson das Neves/Chico Buarque)

Vens ao meu quarto de hotel
Sem te anunciares sequer
Com certeza esqueceste que és
Que és uma senhora
Vejo-te andar de tailleur
Atravessando a novela
Sentes prazer em falar
De sentimentos de outrora

Deito-me no canapé
Não sem antes abrir a janela
E ver tuas palavras ao léu
Jogas conversa fora
Sabes que estive a teus pés
Sei que serás sempre aquela
Pretendes me complicar
Mas passou a nossa hora

Não me incomodo que fumes
Podes mesmo te servir à vontade do meu frigobar
Ou levar um um souvenir
Dispõe do meu telefone
Desejando, liga o interurbano pra qualquer lugar
E apaga a luz ao sair

Quando eu pensava em dormir
Tu chegas vestida de negro
Vens decidida a bulir
Com quem está posto em sossego
Entras com ares de atriz
Sabes que sou da platéia
Deves pensar que ando louco
Louco pra mudar de idéia, não?
Pensas que não sou feliz
Entras com roupa de estréia
Deves saber que ando louco
Louco pra mudar de idéia

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Da janela...

E outro dia estava indo para o trabalho. Acredito que era uma segunda-feira, desses dias que a gente acorda sem querer observar ninguém, mas passando ali pelo turbulento bairro do João Paulo meus olhos pararam em um vendedor de siriguelas. Não o observei como Ana fez ao avistar o cego no conte de Clarice, mas ele me chamou atenção.
Não era um simples vendedor de siriguelas que chegou a uma certa idade com um emprego informal. Infelizmente, uma realidade de nosso país.
Ele era triste, tinha ombros caídos e olhos tão melancólicos que não levantavam nem com os poucos clientes. Era como se ele estivesse recortado naquele cenário de cofos, caixas e café da manhã no tal "bike lanche" ou naquelas banquinhas de café, bolo ou cuscuz baiano na passagem de estudantes, vendedores, profissionais do comércio com suas inconfundiveis fardas amarelas, aquela confusão de frutas do conde, maçãs, pivetes roubando e guardas de trânsito estagiários causando engarrafamento. Nada daquilo era importante para ele, nem sei se algo ainda tinha lá sua importância.
Tentei comentar com a pessoa do lado, mas desisti. Cada um seguia com suas preocupações e tristezas pessoais, para quê fazer conspirações com problemas alheios? Para nada né
Sei que meus olhos acompanharam até um certo ponto quando não pude mais vê-lo e, com a confusão do dia, esqueci dessa imagem. Ela ficou aqui,guardada em algum ponto da minha cabeça e veio agora quando loguei oblog
Na verdade, ia escrever sobre aniversário e da minha fase pré-madura...mas fica para outra vez

sábado, 19 de janeiro de 2008

Sábado na tevê

Assistindo Altas Horas:
Bruna Lombardi, Bruna Surfistinha e Paulinho Vilhena (???)
Ok, a Lombardi foi lá falar do filme que parece ser bom, quando eu assistir, juro que comento. Ando meio sem tempo, tanta coisa acontecendo e eu sem dizer nadinha...Bem, o Vilhena foi sei lá fazer o quê, mas arriscava e, até se saiu bem, em algumas opiniões sobre cinema
Agora a Raquel Pacheco que colocou na cabeça que Bruna seria um bom nome para prostituta...eu não sei responder o motivo da sua participação
Gente, sem preconceitos, mas o que é Bruna Surfistinha sendo entrevistadas? Depois de três livros ( sim, ela finaliza o terceiro) e aposentada da profissão que diabos essa mulher ainda tem para contar? Acho que todas as dúvidas sobre as opções dessa moça e a história triste de bebida e de drogas, e muitos clientes, todo mundo sabe e não precisa ter lido todos os livros. Ninguém é ingênuo e informações fofocas a gente bem sabe onde encontrar, mas o que me chamou atenção é que parece que a história dela vai virar filme.
Alguém me explica qual relevância social disso? Já sei vão me falar das meninas de classe média que possuem um monte de coisa, mas por problemas de criação acabam entrando em um caminho sem volta e blá blá bla
Sinceramente, eu li algumas páginas do primeiro livro, não entendi as motivações dela para o sexo pago. Parecia mesmo fetiche e, sem falso moralismo, deu a impressão que, em muitos momentos, ela adiciona aos rituais de programas muitas pitadas de glamour, a grande maioria dos clientes eram limpinhos e delicados. Sexo é bom, pago e carinhoso parece legal...mas pura fantasia, essa moça nunca chorou arrependida? Essa profissão nunca foi cruel? A única coisa que fez ela largar a vida foi a paixão pelo rapaz lá? Eu duvido!
Será que a história da moça nas telas não terá o efeito contrário? Ao invés de levantar um assunto de alerta as famílias de classe média, estimular o diálogo com os filhos esse filme não dará a profissão, que não deve ser fácil, um tom de idolatria, maestria e se tornará a síndrome da cinderela burguesa pós-moderna?
Por favor, o assunto em livro já é mais que suficiente.