sexta-feira, 23 de julho de 2010

Jogos...


“Eu sei....jogos de amor são pra se jogar...”. Era década de 80, eu era uma simples pirralha e Herbert Viana usou de toda a sua influência na música pop para cantar os tais jogos de amor com suas regras e juízes (ou não) e também fez o favor de divulgar a expectativa da ligação . “Se quiser lembrar, se quiser jogar, me liga...”

E não é que as pessoas levaram mesmo a sério isso? Os relacionamentos são jogos tão complexos e que só se tornaram mais complicados com a quantidade de redes de relacionamentos virtuais. Você pode ficar com uma pessoa e o dilema não é mais só ligar no dia seguinte. Assim era no tempo da nossa mãe, hoje, temos que nos perguntar se fica chato adicionar no Orkut, seguir no Twitter ou MSN. Claro que esses mesmos espaços servem pra você dar uma checadinha nos gostos do cara, se ele escreve corretamente, como se o que estivessem ali também fossem determinantes para você ficar ou não.

Acontece, meu caro Herbert, que eu perdi todas as aulas que ensinavam como jogar com os nossos sentimentos e com os alheios, não tive essa aula na pré-escola, por isso que até a adolescência os garotos pisavam bastante no meu coração relativamente inexperiente. Tudo bem que tenho as minhas regras, mas geralmente não sei como agir. Se ligo ou se não ligo, se “vou ou se fico”...são tantas coisas para decidir ( figurinos, comportamento, demonstração de grau de interesse) que fico pensando como eram bons os tempos da minha avó.

Pelo que ela me contava ( um pouco antes dela partir), minha vó era do samba, adorava as festas e quando meu avô demonstrou interesse, ela demorou a se decidir pois afinal “existiam mil garotos a fim de passear com ela”, mas ele gostou, demonstrou interesse e a pequena de seios fartos e cabelos negros na cintura ( minha avó era uma mulher linda, sinceramente não sei pra quem eu puxei), decidiu que Adelino seria seu marido. Simples assim, tudo ali às claras e eu, aos 11 anos, achava que tudo era muito fácil, mas aí cresci e vi que as coisas nem sempre são tão simples para as moças. Antes se demonstrasse interesse demais era fácil, hoje em dia já é excessivamente carente. Se demonstra de menos, ganha fama de esquisita ou chata.

É, para resolver esse problema, eu sempre tenho teoremas banais e por isso vou terminar essa prosa do jeito que comecei, com música. O jeito é pedir apoio dos profissionais como Tom Jobim. Afinal “Pra quê dividir sem raciocionar? Na vida é sempre bom multiplicar e, por A+B eu quero demonstrar que gosto imensamente de você. Por uma fração infinitesimal, você criou um caso de cálculo integral e para resolver esse problema, eu tenho um teorema banal: Quando dois meios se encontram, desaparece a fração e se achamos a unidade está resolvida a questão...”

2 sobrou pra você!:

Tesouro Vocabular disse...

Realmente esse lance de decidir, "se vou ou se fico" é muito engraçado. Na fase de adolescência normalmete temos diários, agendas emfim, ecrevemos ou melhor, depositamos ali nossas ilusões, os amores platônicos e nunca correspondidos... etc e tal.
Hoje, essa geração tem Blog, Twitter, Facebook...
Nooossa quanta tecnologia, parece que perdemos o essencial...

Bjks:.

Cafeína disse...

opa, gostei do blog, gostei do texto! Passei muito tempo aprendendo a jogar este Jogo sabe? Agora cansei, perdeu a graça, muito demorado e quase um Sudoku pra ganhar.

Quando os dois jogam pra ganhar num relacionamento, quem ganha é A Casa. Sempre.